quarta-feira, 24 de junho de 2015

Ele Queria Ser Missionário, crônica de Myrtes Mathias


Ele queria ser missionário

      Quando o missionário chegou para atender ao chamado, parou antes de entrar. O rancho erguia-se exatamente em frente ao local onde há anos tombara o pioneiro do trabalho missionário em Brasiléia, o Pastor Corintho Moreira.
      Dentro da casa pobre, na cama mais pobre ainda, alguém esperava, olhos brilhantes de febre, no rosto magro, e sem cor.
- Que é isso, amigo? – perguntou o pastor, aproximando-se.
- Tuberculose, pastor. Acho que estou para morrer.
      Certamente que estava. Depois de trabalhar como dentista prático pelos seringais, José Gomes de Andrade, o Darito, ficara assim. O violão das alegres serenatas jazia abandonado. Longe iam as noites de festas. Só os sonhos persistiam. É difícil aceitar a ideia de morte quando se tem apenas 22 anos, principalmente quando a vida além é o desconhecido.
      Bem que vinha tentando encontrar o Caminho. Procurara em várias religiões e livros, mas em nenhuma fonte encontrara a certeza, a paz. E a morte se aproximava. Podia senti-la na angústia dos pais, dos irmãos, da garota que era o seu amor. Foi por isso que a Palavra encontrou campo fértil em seu coração.
- Volte na terça-feira, pastor. Quero dizer publicamente que sou um crente.
      E na terça-feira o culto se realizou. A Igreja de Brasiléia para lá se dirigiu com alto-falante e tudo. Era o trigo que dava frutos. Porque a música que lembra o ideal único de Corintho Moreira, e que agora nascia no coração de Darito, espalhava-se pelas ruas, telhados, copas das árvores: “Direi ao mundo que sou crente; / não me envergonho de o dizer...
      Na hora do apelo a mão descarnada, transparente, ergueu-se com dificuldade: - Eu aceito Cristo como meu Salvador.
      Uma senhora enxuga as lágrimas, e exclama: - Sigo o exemplo de Darito: aceito Cristo como meu Salvador.
      Foi assim que Darito começou o seu ministério. Sua casa tornou-se ponto de pregação, e seu leito pobre, um púlpito.
      Finalmente, depois de muito esperar, Darito foi trazido para o Rio de Janeiro, que lhe aparecia nos sonhos como a terra da promissão. Nada pôde ver da cidade, porque do aeroporto foi direto para o hospital.
      Mesmo assim, pediu-lhe um dia:
- Escreva ao Pastor Paulo, que só voltarei ao Acre como Missionário. Assim mesmo: “Darito só voltará ao Acre como missionário...”
      Foi difícil conter as lágrimas, quem acabava de ver aquelas horríveis radiografias, onde apenas parte de um dos pulmões era visível. Ainda bem que Darito ignorava a extensão do seu mal e podia continuar sonhando: - Quando sarar, vou estudar, fazer odontologia, depois seminário... voltarei dentista e pastor...
      E assim continuou sonhando, mesmo quando passou a tomar oxigênio dia e noite... mesmo quando Cristo o veio buscar...
      Viajara tanto, apenas para anunciar na enfermaria do São Sebastião: “...sou um crente; não me envergonho de o dizer...” apenas para distribuir folhetos, para deixar o seu desafio, para fazer aumentar em meu coração o amor por este imenso Brasil distante da Amazônia.
      O campo continua lá. Grande e belo. Mais necessitado que nunca. Há por lá, muitos Daritos à espera de um pastor, de um enfermeiro crente, desses que colocam o Reino em primeiro lugar. Se Darito não tivesse morrido, seria um desses, com os instrumentos de trabalho em uma das mãos, e a Bíblia na outra. O violão acompanharia hinos de louvor e gratidão. Deus não quis que fosse assim. E quem somos nós para perguntar-lhe – Por que o fizeste?
      Mas uma coisa, você que é jovem, que tem talentos e dois fortes pulmões pode fazer – você pode viver o sonho de Darito, entregando-se nas mãos de Deus para o Acre, o Brasil e o mundo todo, seja ganho para Cristo.

Oh! Dize ao mundo que és um crente; não te envergonhes de o dizer!...

Do livro Deus Precisa de Você (JUERP)


terça-feira, 16 de junho de 2015

30 Dias de Oração pelo Mundo Muçulmano - Participe!


O projeto 30 Dias de Oração é um projeto internacional. O site principal, em inglês é: http://www.30-days.net. A edição traduzida para o português é feita por um grupo de pessoas envolvidas em missões no Brasil e no mundo. Abaixo, algumas perguntas e respostas sobre o 30 Dias Internacional. Para maiores informações, entre em contato: contato@30-dias.org.

Como o 30 Dias começou?

Imagine uma reunião de oração com apenas algumas pessoas. Imagine a mesma reunião de oração alguns anos depois com milhões de pessoas orando pelo mundo Muçulmano. O 30 Dias de Oração pelo Mundo Muçulmano é esta reunião de oração!
A origem deste chamado à oração e jejum pelo mundo Muçulmano teve origem como um grupo de líderes cristãos orando pelo mundo islâmico durante uma reunião no Oriente Médio em Abril de 1992. Deus colocou um fardo de oração nos corações destes homens e mulheres para chamar o maior número de cristãos possível para orar pelo mundo muçulmano.

Qual o tamanho do projeto? Quantas pessoas ou países estão envolvidos?

Atualmente, este evento atrai cristãos de todo o mundo a uma reunião de oração global. O guia de oração “30 Dias de Oração Pelo Mundo Muçulmano “ é produzido em mais de 42 idiomas a cada Ramadã e é distribuído à partir de mais de 32 escritórios regionais. Milhões de Cristãos se juntaram em oração, entre denominações, idiomas e culturas para orar pelo mundo Muçulmano. Como resultado, uma onda de mobilização missionária e uma conscientização maior sobre missões para os muçulmanos estão acontecendo pelo mundo.

Porque durante o Ramadã?

Este evento de oração é planejado para coincidir com o mês islâmico do Ramadã para que nós, o Corpo de Cristo, possamos enfocar no coração de Deus pelo mundo Muçulmano. O Ramadã é uma grande forma de fazer um marco para o movimento de oração em algo que os cristãos podem compreender e se relacionar (literalmente um mês do calendário chamado Ramadã). Quando os cristãos vêem na mídia que o Ramadã está chegando, isto os lembra de orar.
Vimos cristãos levar oração mais a sério conforme eles vêem seus vizinhos muçulmanos jejuando e ativos durante o Ramadã. Os cristãos podem se relacionar espiritualmente melhor com os cristãos e podem orar e jejuar pelo mundo muçulmano porque eles estão orando durante o Ramadã. O Ramadã também dá aos cristãos uma boa oportunidade para fazer amizade com seus vizinhos muçulmanos.

Qual é o propósito do projeto 30 Dias?

Nosso propósito é chamar os cristãos para orar pelo mundo muçulmano, especialmente:
– Para um maior romper do Evangelho entre os muçulmanos;
– Por um compromisso maior de oração dos cristãos.
– E por mais missionários liberados para trabalhar entre os muçulmanos.
Fazemos isso criando um Guia de Oração com 52 páginas, a cada ano coincidindo com o Ramadã (a primeira edição foi em 1993).

Como vocês criam o guia de Oração?

A cada ano, pessoas trabalham juntas para proverem novas informações, estatísticas, histórias e fotos para o guia de oração 30 Dias de Oração Pelo Mundo Muçulmano. A maioria destes que contribuem são trabalhadores de campo trabalhando em regiões não-alcançadas. Cada pessoa contribui com um ponto de vista exclusivo das necessidades do povo muçulmanos no qual cada um está inserido e trabalha. Eles não são acadêmicos que têm uma compreensão distante dos muçulmanos, mas são um grupo de pessoas que tem um amor profundo por aqueles que eles servem.
A equipe internacional do 30 Dias é responsável por juntar os textos, gráficos, desenhos, etc. Então isso é liberado para as equipes nacionais para que cada uma traduza, imprima e distribua da forma como podem.

Qual é o Propósito do Guia de Oração?

O propósito deste guia de oração não é que ele seja um fascículo com informações profundas, mas sim que ele motive e inspire o leitor a orar. Cada artigo do guia contém conteúdo suficiente para dar um breve panorama e informações atuais. Nós encorajamos fortemente os nossos leitores a buscarem maiores informações além das que estão no guia.

Você tem histórias sobre muçulmanos salvos durante o Ramadã?

Muitas! Temos muitos e muitos testemunhos, especialmente de nossos escritórios nacionais. Freuqentemente ouvimos de muçulmanos tendo sonhos com Jesus durante o Ramadã, logo após orarmos por aquele povo ou país no grupo de oração. E também vimos povos completamente não alcançados que agora têm Cristãos entre eles. Exemplo: O Irmão André da Missão Portas Abertas da Holanda disse publicamente que ele acredita que nosso ministério de oração abriu portas ministeriais para o Evangelho nos locais pelos quais ele viaja. Outro testemunho maravilhoso é que muitos povos cristãos nos contatam dizendo que seus corações foram mudados (positivamente) em relação aos muçulmanos. Algumas vezes isso leva a pessoas indo em viagens missionárias, outros alcançam seus vizinhos muçulmanos, e outros se comprometem a orar. (A cada ano em nosso Guia de Oração, publicamos alguns testemunhos especiais que recebemos). Esta é uma das maiores razões que nos motivam a continuar fazendo isto: os testemunhos que recebemos nos encorajam ao vermos que Deus esta usando isso e respondendo as orações de muitos.

Um projeto de oração como este não é perigoso aos que trabalham com ele? Já houve alguma ameaça?

Sim, já tivemos ameaças. É claro que nosso pessoal em países muçulmanos tem que tomar cuidado. No entanto, com o passar dos anos, ouvimos cada vez mais que os muçulmanos respeitam o que fazemos. Eles podem não concordar, mas eles respeitam o nosso lema: “Amando Muçulmanos através de oração”. Os muçulmanos não encontraram nada além de amor e respeito por eles, apesar de não desejarem orações para que sejam salvos por Jesus. É claro que se um clérigo muçulano de algum lugar se ira conosco, problemas podem acontecer.

Como as pessoas podem agir?

Nossa paixão é conhecer a Deus e fazê-lo conhecido. Nosso enfoque é orar pelos povos e grupos étnicos muçulmanos não alcançados. Nosso trabalho é criar recursos para que os cristãos orem.
Apesar de nós da 30 Dias Internacional não sermos uma agência enviadora (apenas criamos recursos para oração), todos nós que estamos por trás deste trabalho estamos ativamente envolvidos em missões em algum lugar pelo mundo. Como missionários, nós encorajamos vocês a orarem e a doar. Mas também levem em conta a possibilidade e irem! Não há maior alegria do que levar o Evangelho ao perdido e ajudar o pobre e necessitado. Você vai orar? Você irá promover o 30 Dias? Você vai mudar o mundo como Deus quer?
“O mundo muçulmano é um desafio aos cristãos, especialmente depois dos atentados de 11/09 em Nova Yorque. Nào iremos impactar muçulmanos através de argumentos teológicos ou manipulação política, mas o iremos através de orações. A ênfase anual do 30 Dais que coincide com o mês do Ramadã tem sido um esforço global notável para mobilizar milhões de cristãos a orar pelas necessidades especiais de muçulmanos. É surpreendente ver que durante os 15 anos do enfoque de oração do 30 Dias de Oração pelos Muçulmanos houve um aumento correspondente de muçulmanos se voltando para Cristo? Que Deus chame muitos mais como intercessores para mudar o nosso mundo e extender Seu Reino!” (Patrick Johnstone, WEC Internacional, Autor, Operation World)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

E-book gratuito: 5 MOTIVOS PARA SE ENVOLVER COM CAPELANIA PRISIONAL


5 Motivos para se Envolver em Capelania Prisional é mais um livro da série “Um livro, Uma Causa”, projeto da Editora Ultimato que celebra o conteúdo bíblico e os diferentes campos de ação ministerial e engajamento da igreja.

A capelania prisional não se resume ao conhecido texto “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles” (Hb 13.3). A Bíblia tem muito mais a dizer. Aliás, a assistência religiosa aos encarcerados é também um trabalho missionário transcultural e clama pelo envolvimento da igreja.

Considerando um retrato do sistema prisional brasileiro, 5 MOTIVOS PARA SE ENVOLVER COM CAPELANIA PRISIONAL aponta biblicamente alguns caminhos e instrumentos práticos para o envolvimento ministerial da igreja no ambiente prisional.


Para baixar o livro, acesse o site e preencha um pequeno formulário. Acesse: 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Capacitar 2015 - Treinamento missionário

Clique na imagem para ampliar

Capacitar 2015 ocorrerá de 2 a 7 de agosto em João Pessoa PB, nas dependências da Primeira Igreja Presbiteriana de João Pessoa .
O Capacitar é uma iniciativa anual de treinamento, sob coordenação de Ronaldo Lidório e Cassiano Luz, que visa servir a comunidade missionária brasileira oferecendo capacitação nas áreas de Antropologia Cultural, Plantio de Igrejas e Aquisição de Línguas. É direcionado a missionários, líderes de missões, seminaristas e vocacionados para a obra missionária.
As edições anteriores ocorreram em Brasília (2012), Porto Velho, RO (2013) e Benevides, PA (2014). Esta é a primeira vez que será realizado no Nordeste .
A programação iniciará no dia 02/08 (domingo) às 18hs e terminará às 22hs do dia 07/08 (sexta).

quarta-feira, 27 de maio de 2015

VOCACIONADOS: Orientações Bíblicas e Práticas para quem deseja cumprir a Missão - E-book gratuito


O Projeto Vocacionados é uma iniciativa de diversos servos de Deus, dentre os quais Ronaldo Lidório, que objetiva auxiliar aqueles que sentem-se chamados e vocacionados para a obra. O site apresenta diversas dicas e informações úteis, orientação vocacional e etc. Acesse o site e informe-se: http://www.vocacionados.org.br/

Juntamente com outro projeto de grande valor, o Capacitar (http://capacitar.org.br/), que oferece treinamento missionário, eles disponibilizam um pequeno e-book, VOCACIONADOS: Orientações Bíblicas e Práticas para quem deseja cumprir a Missão, de autoria de Ronaldo Lidório.

Para baixar o livrete, CLIQUE AQUI

terça-feira, 19 de maio de 2015

Curso Grátis para Missionários - FTSA


No seu aniversário, completando 21 anos de história, a Faculdade Teológica Sul Americana resolveu dar um presente para os missionários, aqueles que estão no campo realizando a obra do Reino. Um curso totalmente gratuito.
Na primeira fase, em março de 2015, 368 missionários de diversas localidades do Brasil e exterior se inscreveram gratuitamente para o Curso de Extensão a Distância: Administração e Cuidados da Vida Missionária.
Agora, uma segunda fase está sendo aberta, ou seja, uma nova oportunidade está disponível para aqueles desejam crescer em conhecimento. Você é missionário atuante? Basta preencher o cadastro e aproveitar.
Quando clicar em 'saiba mais sobre o Curso' verá que ele normalmente é cobrado, mas fazendo sua inscrição como missionário não será cobrado nada de você - é um investimento em sua vida !!!


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Três equívocos dos muculmanos sobre os cristãos


A história do islã e do cristianismo não é nada amigável. Muitas pessoas de ambas as religiões veem as outras com suspeitas (na melhor das hipóteses) ou com medo e ódio (na pior). Tal suspeita existiu desde o primeiro dia, e séculos de violência só serviram para aumentá-la. Tragicamente, a fronteira entre o cristianismo e o islã sempre foi muito sangrenta.
Um passado incerto, é claro, produz um presente incerto. Mas não é apenas a nossa história que transforma a fronteira entre cristãos e muçulmanos em uma perigosa falha sísmica. Muito também repousa em equívocos causados por desinformação. Existem, é claro, diferenças teológicas substanciais entre as duas religiões, e essas diferenças podem levar a uma colisão legítima. Mas o diálogo não pode avançar a menos que afastemos alguns mitos sutis. Eu aprendi isso da maneira mais difícil, através de dezenas de conversas constrangedoras e, às vezes, dolorosas com muçulmanos no sudeste da Ásia. Você pode fazer o que eu nunca pude — aprender com os meus erros sem chegar a cometê-los.
Muitos obstáculos se colocam diante dos muçulmanos que vêm à fé em Jesus — confusão teológica e o custo da conversão são dois dos mais intimidadores. E, é claro, a razão mais comum para os muçulmanos não virem a Cristo é porque a maioria simplesmente nunca ouviu o evangelho.
Dito isso, há um conjunto de equívocos que a maioria dos muçulmanos têm a respeito dos cristãos que evita que eles sequer considerem o evangelho. No próximo artigo olharemos o outro lado da moeda: equívocos cristãos sobre muçulmanos. Mas aqui estão três dos maiores equívocos que os muçulmanos têm com relação aos cristãos:

1. Os cristãos adoram três deuses

Essa me pegou de surpresa. Eu sabia que a doutrina da Trindade era difícil para muçulmanos (assim como o é para cristãos). Mas eu nunca havia percebido por completo o quão erroneamente os muçulmanos a entendem, e o quão ofensiva ela é para eles.
Muitos muçulmanos me perguntaram como eu podia acreditar que Deus fez sexo com a Virgem Maria para conceber Jesus. “Cristãos são blasfemos”, me diziam, “pois eles adoram três deuses: deus pai, deus filho, e deus mãe”. Essa era nova para mim, é claro, então eu perguntei onde eles haviam aprendido isso. Eles me diziam que aprenderam do imã local, o líder religioso islâmico.
Obviamente, cristãos acham essa representação da Trindade tão ofensiva quanto os muçulmanos, e esse é um bom ponto de início. A ideia de Jesus como resultado da cópula entre Deus e Maria é blasfema, e devemos nos sentir livres para expressar a nossa repugnância e ultraje contra a “trindade” assim erroneamente descrita. O monoteísmo é central ao cristianismo, assim como o é para o islã. Assim, os cristãos podem concordar sinceramente com os muçulmanos que só há um Deus digno de adoração. Nossa concepção dele é dramaticamente diferente, mas a ofensa aqui, normalmente, é mal orientada.

2. O cristianismo é moralmente corrupto

A MTV era uma sensação na parte do mundo em que eu vivi. Videoclipes ocidentais sempre mostravam estrelas do rap ou mulheres seminuas usando crucifixos. Meus amigos muçulmanos presumiam, naturalmente, que aqueles eram cristãos, e que aquele comportamento era típico dos cristãos.
Certa vez fui até questionado por uma das minhas amigas, uma universitária muçulmana, se eu podia organizar uma festa de aniversário “cristã” para ela. Quando perguntei o que ela queria dizer, ela respondeu que queria uma festa com muita bebida e dança picante, assim como ela tinha visto na televisão. Equívocos como o dela, infelizmente, são a regra, e não a exceção.
Muitos muçulmanos sequer consideram o evangelho, pois consideram (corretamente) que tal comportamento é ofensivo a Deus. Contudo, você pode usar isso para a nossa vantagem. Quando os muçulmanos descobrirem que você não é daquele jeito, eles vão querer saber o que o torna diferente. Essa é a sua oportunidade para explicar a eles do que se trata uma fé viva em Cristo.

3. “O ocidente” e “a igreja” são sinônimos

“Separação entre igreja e Estado” é parte do fundamento cultural dos ocidentais. Muçulmanos, contudo, não entendem tal distinção. O islã é, em sua própria natureza, uma entidade política, repleta de inúmeros códigos sociais. Não existe conceito paralelo no islã, como a “separação entre a mesquita e o Estado”. Assim, quando os muçulmanos olham para as nações ocidentais, como o Estados Unidos, a Alemanha, a França ou o Reino Unido, eles veem “países cristãos”. Eles presumem que nossos presidentes são os líderes cristãos, e nossas políticas são reflexo da política da igreja. O que o governo faz, a Igreja faz. Por exemplo, certa vez me perguntaram: “Por que ‘a Igreja’ bombardeou o Iraque?”
Para atrair os muçulmanos ao evangelho, você deve delinear essas duas entidades, e você provavelmente terá que, em muitas situações, colocar o seu patriotismo de lado. Se você quer ser um defensor de políticas norte-americanas, você provavelmente não ganhará ouvidos para o evangelho. Há um lugar para a discussão de ambos, mas só temos espaço suficiente para representar um certo número de questões e, para mim, como representante da igreja, simplesmente não vale a pena sacrificar uma plataforma para o evangelho em nome de defender decisões políticas norte-americanas. Recentemente um muçulmano turco me disse que “todos os problemas do mundo são causados pelo Estados Unidos”. Eu concordo com ele? Não. Mas é ali que eu firmarei a minha base? Não. Por amor do evangelho, nosso patriotismo deve morrer quando servimos em países muçulmanos.
Como sempre dizemos na nossa igreja, o evangelho é ofensivo. Nada mais deve ser. Visto que grande parte da nossa mensagem repele os muçulmanos, precisamos nos equipar para desmascarar as falsas ofensas do cristianismo. Só então a ofensa que dá vida, a cruz, pode brilhar como deveria.
Quando o ocidental comum ouve “muçulmano”, várias imagens vêm à mente — principalmente imagens negativas. Mas a maioria dos muçulmanos ficariam tão horrorizados como nós com o que presumimos a respeito deles. No meu próximo post, eu discutirei três dos mais comuns equívocos que ocidentais têm a respeito dos muçulmanos.
No meu último post, discuti três equívocos comuns que muçulmanos têm sobre cristãos. Hoje exporarei três equívocos que cristãos muitas vezes têm a respeito dos muçulmanos.
Quando o ocidental em geral ouve “muçulmano”, várias imagens vêm à mente — a maior parte negativa. Mas a maioria dos muçulmanos ficariam tão horrorizados quanto nós com o que presumimos a respeito deles. Eis alguns dos equívocos mais comuns que ocidentais têm a respeito de muçulmanos:

Equívoco 1: A maioria dos muçulmanos apoia o terrorismo

Cristãos normalmente não saem dizendo que pensam que todos os muçulmanos são terroristas. Mas muitos presumem que a maioria dos muçulmanos apoia o terrorismo, embora em silêncio. Muito tem sido escrito sobre como o islã foi fundado “pela espada”, ou como muçulmanos que se comprometem com atividades terroristas estão simplesmente obedecendo o que o Corão manda. Certamente é fácil encontrar muçulmanos usando o Corão para justificar a violência. Mesmo quando você dá ao Corão uma leitura indulgente, perguntar “O que Maomé faria?” levará a um lugar muito diferente do que “O que Jesus faria?”
Dito isso, a maioria dos muçulmanos que você encontra — quer seja em países ocidentais ou islâmicos — não são pessoas violentas. São pessoas gentis e pacíficas que, muitas vezes, se envergonham das ações dos muçulmanos ao redor do mundo. Embora haja uma boa chance de elas verem políticas internacionais de forma muitodiferente do ocidental em geral, é mais provável que você as ache calorosas, hospitaleiras e gentis.
Sim, muçulmanos sinceros creem que o Islã um dia dominará o mundo, e podemos certamente nos queixar dos muçulmanos não falarem mais contra o terrorismo. Mas não iremos estender muito o diálogo quando presumimos coisas a respeito deles que não são verdade. Assim como nós odiamos ser caluniados, eles também odeiam.

Equívoco 2: Todas as mulheres muçulmanas se sentem oprimidas

Ocidentais muitas vezes pensam na mulher islâmica como gravemente oprimida. Eles têm um retrato mental de uma mulher curvada, caminhando dois metros atrás de seu marido, olhando obedientemente para baixo. Ela mal sabe ler, não sabe escrever e anseia por liberdade do domínio opressor do islã e de seu marido ditador.
Muitas vezes isso está muito longe da verdade. Eis três coisas para se ter em mente com relação às mulheres do islã:

A. Muitos homens e mulheres muçulmanos têm casamentos felizes.

Os casais que conheci quando vivi em um país muçulmano certamente não eram “românticos” como ocidentais estão acostumados. Mas as mulheres também não eram as escravas sexuais humilhadas que muitos ocidentais muitas vezes presumem.
Havia, é claro, algumas exceções. Tive amigos cujas esposas raramente eram permitidas sair dos fundos da casa, menos ainda fora de casa, e há certas culturas (no Afeganistão, por exemplo) nas quais a opressão parece mais a norma do que a exceção. Mas é um exagero dizer que todas as mulheres muçulmanas se veem como oprimidas.

B. Mulheres, muitas vezes, são as mais ardentes defensoras do islã.

É irônico, mas é verdade: apesar do histórico do islã de opressão, mulheres são, muitas vezes, as mais ardentes adeptas. Muitas mulheres islâmicas, especialmente no mundo ocidental, clamam por reforma em como as mulheres são tratadas na cultura islâmica, mas raramente por um fim do próprio islã.

C. Não há como negar, contudo, que o Corão e o Hádice falam de maneira depreciativa sobre as mulheres.

O Hádice diz que 80% das pessoas no inferno são mulheres. Ao explicar o motivo de o testemunho de uma mulher valer apenas metade do testemunho de um homem num tribunal, ele diz: “Por causa da deficiência em seus cérebros”. O Corão diz que as esposas muçulmanas “são como um campo a ser lavrado”, o que é muitas vezes usado para legitimar o patriarcado e o domínio masculino, e nada disso leva em conta práticas que, muitas vezes, excedem o Corão em brutalidade.
Alguns estudiosos islâmicos dirão que estou lendo esses textos de maneira errada, mas o fato permanece: muitos dos piores casos de opressão acontecem em países muçulmanos. O islã carece do ensino robusto judaico-cristão que assevera a igualdade de homens e mulheres como ambos sendo feitos à imagem de Deus. Pode não ser universal, mas muitas mulheres islâmicas se sentem sim aprisionadas. Em contraste, mostrar às mulheres muçulmanas a sua dignidade em Cristo tem, em muitos lugares, provado ser uma estratégia de evangelismo imensamente eficaz.

Equívoco 3: Muçulmanos buscam conhecer um deus diferente do Deus cristão

Isso é controverso, mas deixe-me explicar. Muçulmanos afirmam adorar o Deus de Adão, de Abraão e de Moisés. Assim, muitos missionários acham útil começar a trabalhar os muçulmanos usando o termo árabe para Deus, “Alá” (que significa, literalmente, “a Deidade”) e, a partir daí, explicar que o Deus que os muçulmanos buscam adorar, o Deus dos Profetas, era o Deus presente em forma corpórea em Jesus Cristo, revelado mais plenamente por ele; e Aquele que é adorado pelos cristãos pelos últimos dois milênios. Isso não é o mesmo que dizer que se tornar um muçulmano é como um “primeiro passo para se tornar um cristão”, e certamente não significa que o islã é um caminho alternativo para chegar ao céu. Simplesmente significa que ambos estamos nos referindo a uma única Deidade quando dizemos “Deus”.
Podemos perguntar: “Mas o deus islâmico não é tão diferente do Deus cristão que eles não podem ser, apropriadamente, chamados pelo mesmo nome?” Talvez. A pergunta de se Alá se refere ao deus errado (ou a ideias erradas de Deus) é uma pergunta com muitas nuances, e não existe resposta fácil. Não há dúvidas de que os muçulmanos creem em coisas blasfemas a respeito de Deus, e suas crenças sobre Alá nasceram a partir de uma visão distorcida do cristianismo. O mesmo pode ser dito, embora em grau menor, da visão do deus dos saduceus do primeiro século, assim como o deus da mulher samaritana e, em um grau ainda menor, o deus dos hereges pelagianos do século 5 — sem mencionar vários dos estudiosos medievais.
A pergunta é se a presença dessas crenças heréticas (e qual grau de heresia nelas) exige que digamos: “Você está adorando um deus diferente”. Claramente, os apóstolos não disseram isso a respeito dos judeus do primeiro século que rejeitaram a Trindade (muito embora Jesus tenha dito que o pai deles era o diabo!). E Jesus também não disse à mulher samaritana em sua visão étnica, de justiça pelas obras e distorcida de Deus que ela estava adorando um deus diferente. Ao invés disso, ele insistiu que ela o estava adorando incorretamente e buscando salvaçãoerroneamente. Nunca ouvi ninguém dizer que os hereges Pelagianos adoravam um deus diferente, ainda que eles tenham sido considerados (corretamente) como hereges.
Ao mesmo tempo, Paulo nunca disse: “O nome verdadeiro de Zeus é Jeová”, como se o gregos estivessem adorando o Deus verdadeiro erroneamente. Assim, a pergunta é: a visão muçulmana de Alá é mais como Zeus ou como a concepção herege da mulher samaritana de Deus? Essa é uma pergunta difícil, e uma pergunta que precisamos deixar o contexto determinar. Por exemplo, muitos cristãos acham que o uso de “Alá” gera mais confusão do que ajuda. Para eles, “Alá” cai na categoria de “Zeus”.
Por outro lado, contudo, estão muitos cristãos fiéis trabalhando entre muçulmanos que abordam a questão de Alá muito semelhante a como Jesus corrigiu a mulher samaritana. “Vocês buscam adorar o único Deus, mas têm uma visão errônea dele e de como buscam salvação dele. A salvação vem dos judeus”. No meu tempo com os muçulmanos ao longo dos anos, descobri ser esse um ponto inicial mais útil. Isso não vem de um desejo de ser mais politicamente correto, mas de um desejo de começar onde os muçulmanos estão e trazê-los à fé naquele que é o único Filho de Deus, Jesus.
Quando conversamos com muçulmanos sobre o evangelho, precisamos eliminar quaisquer distrações desnecessárias. As necessárias, afinal de contas, serão difíceis o suficiente. Devemos ver os muçulmanos com amor, nos recusando a estereotipá-los. Nós vivemos em um mundo de estereótipos, mas o amor pode conquistar o que o politicamente correto não pode. Ouvir alguém sem preconceito é o primeiro passo para amá-los. Em outras palavras: “Faça ao próximo” se aplica aqui também: vejamos o próximo como ele gostaria de ser visto.

evangelho_para_muculmanos_ampO Evangelho para Muçulmanos

Como pregar o evangelho a um muçulmano?
O islamismo é uma religião que cresce em escala global. Para auxiliar o cristão a anunciar as boas novas de Jesus Cristo, o livro “O Evangelho para Muçulmanos” afirma o poder transformador do evangelho, encoraja o leitor na tarefa evangelística e o equipa com os meio necessário para comunicar o caminho de Cristo com clareza, ousadia e sabedoria.
Thabiti Anyabwile, sendo alguém que se converteu do islamismo ao cristianismo, é qualificado para ajuda-lo a compartilhar a mensagem do evangelho de Jesus Cristo a seus amigos e conhecidos muçulmanos.

sábado, 9 de maio de 2015

Como orar pelos missionários


1. Ore para que as portas sejam abertas
Cl 4.2, 3a

Portas abertas nem sempre são garantia de que os missionários chegarão aos corações das pessoas. 
Muitos missionários trabalham em países de acesso difícil. Mas “portas abertas” incluem mais do que somente acesso às nações e grupos de pessoas. Cada coração também necessita estar aberto e receptivo à verdade de Deus.

2. Ore por ousadia para testemunhar
Ef 6.19

Missionários são pessoas normais que temem dor e rejeição tanto quanto qualquer outra pessoa. Quando se deparam com oposição, eles precisam da força que vem de Deus para ajudá-los a permanecer firmes.

3. Ore para que a Palavra de Deus seja propagada
2 Ts 3.1

Obstáculos precisam ser removidos para permitir que a Palavra de Deus seja espalhada rápida e livremente. Remover obstáculos implica resistência resoluta na guerra espiritual. Assim como Arão e Hur sustentara os braços de Moisés na batalha contra os amalequitas (cf. Êxodo 17.12), você pode sustentar os braços cansados de missionários por meio de suas orações.

4. Ore por proteção
2 Ts 3.2

Portas abertas em países de difícil acesso podem também gerar perigo e dano pessoal para os missionários que entram naquelas áreas. Pessoas resistentes ao Evangelho podem expressar sua resistência de forma direta e, muitas vezes, nociva.

5. Ore pelo ministério
Rm 15.31

Cooperação e parcerias são essenciais ao ministério e vitais ao progresso do trabalho. Ore para que o ministério e a atitude do missionário sejam dignos de aceitação.

6. Ore por direcionamento de Deus
Rm 15.32a

Muitos missionários realizam viagens nacionais e internacionais frequentemente. Seus meios de transporte variam de país para país e, às vezes, envolvem situações tensas.

7. Ore por refrigério
Rm 15.32b

Missionários enfrentam muitas das mesmas pressões que você enfrenta na vida, como esmagadora carga de trabalho, conflitos em relacionamentos e incertezas financeiras. Às vezes, entretanto, missionários lutam com essas questões sozinhos, sem a amizade e o apoio de outros cristãos. Morar e trabalhar em outra cultura acrescenta um elemento que pode esgotar a vitalidade física, emocional e espiritual deles.

O apóstolo Paulo foi um missionário e um homem de oração. Ele orou por aqueles que estavam sem Cristo, pelos cristãos e pelas novas igrejas estabelecidas sob seu ministério.

“Recomendo-lhes, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que se unam a mim em minha luta, orando a Deus em meu favor”. (Rm 15.30 NVI)

Paulo sabia que a oração trazia resultados:

“Ele continuará nos livrando, enquanto vocês nos ajudam com as suas orações. Assim muitos darão graças por nossa causa, pelo favor a nós concedido em resposta às orações de muitos.” (2 Co 1.10b e 11 – NVI)

Em sua carta, Paulo faz pedidos específicos de oração para que os cristãos orassem. Como companheiro de oração com aqueles que são chamados a ir, você também provocará um impacto que pode alcançar o mundo todo. Os pedidos de oração de Paulo mostram como orar com entendimento e eficácia, mas não para nisso. Então, ore. Ore para que um dia, todos os povos ao redor do mundo tenham em breve a Palavra de Deus na língua que lhes fala ao coração.

***

domingo, 3 de maio de 2015

Consulta Nacional Povos Minoritários do Brasil

Clique na imagem para ampliar.

A Consulta Nacional Povos Minoritários será um evento de grande importância que tratará do avanço do evangelho junto a esses segmentos menos evangelizados. Agências missionárias, igrejas locais, missionários, líderes e interessados (de diversas denominações evangélicas) estão entre o público alvo. Atualmente as igrejas Presbiteriana, Batista, Metodista, Assembleia e muitas outras, têm mantido um laço que vem se estreitando a fim de que todos entendam o contexto e as ferramentas que Deus tem dado para um avanço saudável da evangelização e do amparo social a esses povos.  Participe você também!

Para maiores informações, acesse: http://povosminoritarios.com.br/


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Calvino: Amando a Deus e às nações - E-book


O Ministério Morávios, que tem realizado um excelente trabalho de promoção missionária, acaba de disponibilizar um excelente e-book gratuito, Calvino: amando a Deus e às nações, escrito por Gabriel Neubarth. O e-book versa sobre a relação de Calvino e a obra missionária.
Para baixar o e-book em pdf, CLIQUE AQUI.

terça-feira, 21 de abril de 2015

EMPRESÁRIOS INVESTINDO EM MISSÕES



(Matéria publicada em 2008) 
Não é novidade para a liderança cristã o fato que muitos projetos de expansão missionária ficam somente na pauta de oração porque faltam recursos e não há mantenedores. Muitos missionários ainda estão no time de reserva porque não há que os sustente no campo. Será que os membros das igrejas sofrem de "falta de visão missionária"?
 
Entrevistamos dois empresários de sucesso em suas áreas e que também são mantenedores fiéis de projetos missionários para entender melhor que critérios os levam a investir e que ações daqueles que recebem as doações os levam a manter suas contribuições.
 
Amado Góis é o presidente da Hydronorth, empresa do Paraná que atua na área de tintas e impermeabilizantes. Alberto Schlatter é o presidente do Grupo Schlatter, sediado no Mato Grosso do Sul e que atua nos segmentos de agricultura, pecuária, benefício de algodão, transportes e armazenagens.
 
Qual o seu envolvimento com missões atualmente?
 
Amado - Meu envolvimento com missões é feito em diferentes localidades. Em Londrina na Creche Rei Davi, onde, além da missão junto às crianças fazemos da creche um centro para atendimento aos pais com vários problemas. Isso tem dado excelentes resultados, pois além das crianças levarem a Palavra de Deus para casa, os pais também a recebem por ocasião de reuniões e também de aconselhamento. Na Missão Vida em Anápolis que cuida de mendigos e homens de rua. Em Marilia no Esquadrão da Vida. No Instituto Paqto consiste na manutenção deste ministério em Maringá (esse ministério presta consultoria às igrejas que querem investir em missões mas não têm experiência). E por último, na Missão Portas Abertas, que dispensa comentários.
 
Alberto - Temos nos envolvido de forma mais expressiva com o Projeto Com Cristo no Cerrado, que é um ministério voltado para a abertura de novas igrejas e de um centro de treinamento de obreiros na cidade de Rondonópolis. Temos envolvimento também com o Centro Gileade que trabalha na recuperação de dependentes químicos, em Chapadão do Sul. Além disso, no Ministério Palavra da Vida e no Projeto Vinde Meninos.
 
O que o levou a escolher estes projetos ou organizações para serem alvo de investimento e não uma outra entidade?
 
Amado - Para a escolha de missão eu analiso primeiro a idoneidade e comprometimento. Isto depois de conhecer as pessoas que a administram e lideram e após consultas. Analiso muito também para que se destina. Isso faz parte da minha responsabilidade em investir. Investir não é somente dar mas também: o quê, como e pra quem dar. O dinheiro de missão não é meu, sou apenas instrumento que Deus usa para dar então tenho que ser responsável ou então Deus vai cobrar de mim.
 
Alberto - Vejo missões como um projeto global da igreja, isto é, alcança o ser humano no seu aspecto físico, emocional e espiritual, através das boas novas, do evangelho de Jesus, enquanto que os clubes de serviço apenas atendem necessidades materiais.
 
Quais os critérios que levou em conta para ser um contribuinte regular?
 
Amado - Não existe critério. Trata-se de obediência. Vejo a necessidade, sinto uma ordem e então inicio o processo que detalhei na pergunta anterior.
 
Alberto - Exatamente porque em tais projetos ficamos bem mais informados sobre a destinação dos investimentos que fazemos na condição de mordomos de Deus. Também porque ficamos inteirados das necessidades emergenciais que acabam surgindo na trajetória deste projetos.
 
Na sua visão, de que forma deve ser a prestação de contas de uma agência missionária?
 
Amado - Isso também faz parte de minha responsabilidade. A prestação de contas deve ser criteriosa e regular. Essas missões de que falei me prestam conta mensalmente através de noticias e relatórios. Também de tempos e tempos visito a missão e me reúno com os responsáveis. Repito, não só dar mas sim acompanhar.
 
Alberto - Com a maior transparência possível para que os investidores possam se alegrar em Deus vendo como seus investimentos estão abençoando vidas e fazendo o Reino de Deus prosperar.
 
O irmão acredita que os empresários não cristãos investiriam em missões?
 
Amado - Não acredito e vou além. Empresário não cristão não deve investir em missões porque não será uma boa obra. A ordem para investir em missões deve vir de Deus e nunca de homens. Repito: Os valores que invisto em missões não são meus, são de Deus, e eu não sou louco de roubar de Deus, ou seja, ficar com a "grana". A prova de que não são meus é o fato de nunca ter sentido falta desses valores. Creia: se fossem meus provavelmente não investiria, eu sou tão mau como qualquer outro homem.
 
Alberto - Não tenho muito o que falar sobre isso mas afirmo que isto até poderia acontecer se as agências missionárias os procurassem com um projeto bem elaborado e bem transparente, avalizado pelo bom testemunho dos empresários cristãos.
 
E quanto à igreja? Por que não há mais investidores?
 
Amado - Ovelha escuta o pastor e empresário escuta empresário. O que a Igreja precisa é envolver empresários cristãos para falar com empresários. A Igreja tem poucos investidores porque é a própria Igreja que gera dificuldades. Com receio de perder sua receita, não divulga com ênfase a missão. Vejo incompetência da Igreja nesse sentido.
 
Alberto - Não há como negar que vivemos uma crise generalizada de credibilidade das instituições eclesiásticas e isto gera um desconforto na aplicação de investimentos fora do dízimo, ou seja, das ofertas alçadas que são dever de todo crente.
 
Quais são suas sugestões aos líderes de ministérios, missões e igrejas para atraírem investidores?
 
Amado - Não sou a melhor pessoa para isso mas creio que algumas dicas já foram descritas anteriormente.
 
Alberto - Esta questão já foi tratada anteriormente, mas quero reforçar. A questão crucial é a credibilidade e a transparência. Isto com certeza motivaria mais investidores que estão à procura de oportunidade de poderem exercer com mais inspiração a mordomia que o Senhor espera de cada um. Sejam eles grandes investidores ou somente uma viúva que coloca uma simples moeda.


Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o sitewww.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mailartigos@institutojetro.com

terça-feira, 14 de abril de 2015

As Responsabilidades da Igreja para com o Missionário



Pr. Sidney Siqueira
Dentre os muitos privilégios que o Senhor tem dado à sua Igreja está o de se envolver com missões transculturais. Privilégios, naturalmente, envolvem responsabilidades. Enviar missionários requer compromisso e seriedade daqueles que se propõem a fazê-lo.       
A igreja deve, em primeiro lugar, ter discernimento espiritual para reconhecer se o candidato tem o chamado para ser um missionário. Em seu relato em Atos 13, Lucas deixa claro o discernimento que a igreja em Antioquia recebeu do Espírito Santo antes de enviar Paulo e Barnabé. Atos 13.1-3. Liderança afinada com o Senhor estará em sintonia também com aqueles que Ele mesmo escolheu para um trabalho específico. Essa convicção do chamado, tanto no coração do candidato quanto no da liderança, servirá de forte alento nos momentos de provas futuras.
O desenvolvimento de um ministério efetivo exige preparo. Os exemplos bíblicos se multiplicam: Moisés, 40 anos no palácio, 40 anos no deserto; José, 13 anos em terra estranha; Paulo, 14 anos no deserto. Deus ainda não mudou seu método. Por isso é uma grande bênção quando uma igreja local, após o reconhecimento de um vocacionado, se envolve no seu preparo. Há situações em que um candidato pode arcar com suas despesas; outras, não. Tomando como exemplo o curso preparatório que a Missão Novas Tribos do Brasil oferece aos futuros missionários, percebemos a inviabilidade do sucesso se alguém não se responsabilizar pelo suprimento financeiro. Em regime de tempo integral são oferecidos cursos teológico, missionário e linguístico. É bom lembrar que a necessidade não é apenas financeira. Esse candidato já começa a sofrer as investidas do inimigo. Até chegar ao campo missionário ele dependerá também do pastoreio eficaz de sua igreja: orações, palavras de ânimo, puxão de orelha quando necessário.
Após seu preparo a igreja deve enviá-lo, em parceria com uma missão, para um campo missionário. A igreja que teve o cuidado de se envolver no preparo do candidato continuará alegremente apoiando-o no ministério a ser desenvolvido. O sentimento que deve dominar uma igreja é que ela é missionária onde seu missionário está. O sucesso dele é também o dela; o fracasso dele é também o dela. Por isso o cuidado vai além do suprimento financeiro. As lutas espirituais são partilhadas por ambos. Num campo isolado, longe de familiares, amigos, convívio com os irmãos, as carências emocionais são grandes. A igreja deve entender essa situação para estender seu apoio de forma integral ao seu enviado. Quando a igreja se propõe a cumprir fielmente seu papel, o missionário terá mais tranquilidade para cumprir seu ministério com eficiência.
A certeza da presença maravilhosa do nosso Mestre, conforme promessa em Mateus 28.20, anima o missionário. Ele sabe que não está sozinho, a pessoa mais importante está com ele. Essa convicção o ajuda a aprender a língua nativa para comunicar ao povo tribal o amor de Deus e a perseverar nos momentos difíceis. Mas não nos esqueçamos de que Igreja, Missionário e Agência Missionária precisam andar juntos. Se um elo da corrente se quebrar, todo o trabalho será prejudicado.
O compromisso de uma igreja com seu missionário é, antes de tudo, um compromisso com o Senhor. Obra missionária não é para ser feita quando sobra dinheiro. Construções e outros projetos não devem ser priorizados em detrimento do missionário no campo. Há igrejas que enviam e abandonam seus obreiros em todos os aspectos. A obra missionária não ocupa a mente da igreja. Consequentemente, o sustento financeiro vai de vez em quando, se vai. As orações são escassas, mas o missionário fiel continua apesar da falta de apoio. Cuidado Igreja! O Senhor pedirá contas. Não percamos o grande privilégio de apoiar e zelar pelos que dão suas vidas.
Hoje estou do lado de cá, segurando a corda, mas já fui enviado para o treinamento missionário e para o campo sem apoio financeiro. Meu pastor me disse “Vai, porém sustento financeiro você não receberá da igreja.” Nunca vi uma pessoa tão fiel à sua palavra!  Eu fui e, por doze anos, Deus usou os mais diversos meios para suprir minhas necessidades. Estou há trinta e quatro anos no ministério e Deus nunca falhou. Ele me deu esposa, dois filhos, uma nora e uma netinha. Quão precioso é ser servo do Deus Altíssimo!
Preparar, enviar, sustentar obreiros na obra do Mestre são algumas das responsabilidades de uma igreja local. Há mais uma não menos importante para a igreja que, de fato, se considera parceira do missionário: acompanhar o desenvolvimento do trabalho na linha de frente. Para isso a igreja deve ter boa comunhão e boa comunicação com a agência missionária à qual seu obreiro está afiliado, pois ela tem a estrutura adequada para fazer esse acompanhamento. Cobrança em cima do missionário? Não. Cobrança não é uma boa palavra. Zelo, essa é a palavra ideal. Se a igreja é fiel em investir tempo em oração, dispensar cuidado espiritual e emocional, ofertar mensalmente, é justo que ela deseje ver fidelidade em seu enviado. O trabalho transcultural nunca foi e nunca será fácil. Diligência e perseverança são duas palavras-chave para quem pretende aprender língua e cultura tão diferentes da sua, e nós sabemos que sem esse aprendizado não haverá comunicação efetiva do evangelho. Portanto a igreja está sendo apenas uma parceira zelosa quando verifica o progresso dos seus missionários nessas áreas. O sucesso do missionário é o sucesso da igreja. Lembra?
Deus nos deu o privilégio de estar na linha de frente e agora na retaguarda. Como um dos pastores da I Igreja Batista Bíblica em Vitória da Conquista, é com alegria que vejo o povo de Deus empenhado no apoio a quase sessenta missionários. A liderança da igreja, contudo, precisa estar atenta para que a igreja cumpra fielmente seu ministério: discernir espiritualmente o vocacionado, preparar, enviar e zelar pelo bom andamento do trabalho; estas são alegrias e responsabilidades que o Senhor deixou a todas as igrejas locais.
A chama por missões continua e continuará até que a última tribo seja alcançada para glória do Senhor.
 Pr. Sidney Siqueira – Pastor de Missões da Igreja Batista Bíblica em Vitória da Conquista-BA e Missionário Cooperador da MNTB

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